Marcelo Pereira*
Chico Science no caleidoscópio
Publicado em 02.02.2007
Ainda me lembro perfeitamente quando a má notícia chegou. Estava no bar Turma da Rua, na Torre (já não existe mais, uma pena), na festa do primeiro aniversário de meu sobrinho, João Victor, quando o telefone tocou. O experiente jornalista Roberto Tavares, então diretor-adjunto de Redação, perguntava se eu poderia ir urgentemente ao jornal. Fiquei espantado. Ele disse secamente: “Acabamos de saber que Chico Science morreu”. A pancada foi forte. Um nocaute. Respirei fundo e fui. Impossível esconder a emoção. A caminho do JC, um turbilhão de lembranças: Chico Science chegando pela primeira vez à Redação pedindo para publicar a primeira notícia sobre o mangue, as primeiras conversas, a viagem para Sampa, a estréia no Aeroanta, os papos e biritas no Cantinho das Graças e no Panquecas de Boa Viagem, a emoção de ver os primeiros shows ainda mambembes, a tensão e euforia do Abril pro rock...
E eis que dez anos se passaram sem o mangueboy, malungo sangue bom. As boas recordações ainda persistem, passam num caleidoscópio. Experiência sensorial única: ouvir os primeiros discos de Chico Science & Nação Zumbi de olhos fechados e no escuro. E aí, respirar fundo e sentir a sensação do dever cumprido por haver estendido as mãos ao sonho de fincar a antena parabólica na lama dos mangueboys.
*Marcelo Pereira é editor de cultura do Jornal do Commércio (PE).


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