Metamorfose
A revista Piauí deste mês traz uma matéria bem interessante. Acho que foi traduzida do Washington Post. A publicação propôs um desafio a um dos melhores violinistas da atualidade, Joshua Bell. Ele teria que tocar numa estação de metrô em Washington como se fosse um músico de rua para checar se o brilhantismo dele e das composições executadas seriam percebidas pelos transeuntes. O resultado, foi o esperado (pelo menos para mim): pouca gente deu bola para Joshua. Mas o que eu mais gostei no texto foi a declaração de Marl Leithauser, curador-chefe da National Gallery, que se baseou no filósofo Kant para explicar o que aconteceu nesse desafio. Segundo, ele o ambiente é fator determinante na nossa apreciação das coisas. Ontem, fiquei pensando muito nisso.
Mesmo que as pessoas mudem pouco, o ambiente em torno delas muda a todo instante. Com isso, a sua maneira de se relacionar com esse ambiente vai mudando e, consequentemente, a pessoa também muda. De repente, quando ela se dá conta, a relação dela com tudo aquilo que sempre teve e quis já não é mais a mesma. É meio aquele papo de que o indivíduo muda o ambiente e o ambiente muda o indivíduo. Nos últimos anos eu mudei muito, fato. É indiscutível que a morte do meu pai teve um impacto muito grande pra mim. Durante um tempo, eu fingi que estava tudo normal. Não estava. Infelizmente, essa mudança mudou a minha relação com as pessoas mais próximas de mim. Não era o que eu queria e não me sinto confortável em ver que tudo aquilo que fazia sentido pra mim, de repente, não faz mais. Não era o que eu queria e nem o que eu tinha planejado, mas aconteceu. Agora, é arcar com essa dura realidade. Nunca me fiz de vítima perante a vida, mas, é impossível pra mim não pensar o quanto eu tenho encontrado dificuldades. Procuro acreditar que os problemas estão em mim mesmo, mas, é difícil não achar que as coisas poderiam ser um pouco mais fáceis. Não estão sendo e, no fundo, só eu posso resolver isso.


Um comentário:
É vida loka, Jão, daquele jeito... . Cara, tenho muito pouco pra te falar nessas horas, mas posso te dizer o seguinte: Nada como um dia após o outro dia.
Lembrei dessa frase depois que li seu post.
Abs, tércio.
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