segunda-feira, 16 de junho de 2008

Passou rápido

Semana passada completou cinco anos da morte do meu pai. Para ser preciso, no dia 12/6. Eu não fico triste nessa data, mas é inevitável não pensar naquele dia. Lembro com precisão de detalhes tudo o que aconteceu. Eu me sentia dentro de um filme. Voltei pra casa sem saber ao certo o que havia acontecido com o meu pai e logo que cheguei em casa, não havia ninguém lá, tocou o telefone. Um amigo dele me deu os pêsames e perguntou onde seria o enterro. Até então, ninguém havia me dito que meu pai tinha morrido. Pensei que se eu dissesse para aquele homem que eu não sabia de nada, ia ser constragedor para ele. Acabei dizendo que as coisas tinham acabado de ocorrer e que eu ainda não tínhamos decidido nada.

Permaneci imóvel, sentado no sofá. Minha mãe chegou, olhou para mim e começou a chorar. Fiquei quieto. Lembro das pessoas falando para eu chorar. Mas eu não conseguia. Só chorei, quando vi meu primo Vinícius chorando na cozinha de casa. Até então, eu nunca tinha visto ele chorar com nenhum falecimento. Fômos até a funerária comprar um caixão e depois fui até o hospital fazer o reconhecimento do corpo para ele ser liberado. Eu me sentia dentro de um filme. Ainda hoje, me sinto dentro de um filme naquele dia. A maior lembrança que eu tenho daquele dia é dos amigos que permaneceram do meu lado o tempo todo. E dos amigos do meu pai, que não paravam de chegar. Alguns deles não quiseram entrar na sala para não vê-lo daquele jeito. Eu entendo. Realmente não é das melhores lembranças que eu tenho. Eu queria ter falado alguma coisa para aquelas pessoas que estavam ali, mas não consegui. Eu só tinha pena do meu pai: por ele não ter feito um monte de coisas que ele queria ter feito. E toda vez que eu lembro disso, me dá um aperto no coração, tipo agora.

Nos últimos meses me perguntei diversas vezes se depois de quase 5 anos, já não seria hora de ter esquecido ou até mesmo não sentir falta dele. Mas, numa conversa com a Carol na semana passada, ela disse que o processo do luto não termina nunca. Me senti aliviado. Me senti aliviado também quando fiz terapia. Foi ali que descobri que eu queria me entender e não, entender o meu pai, como eu diziz quando fui pela primeira vez no consultório.

Ontem, fui numa festa junina da comunidade armênia. Lembrei de uma família muito amiga que era de ascendência armênia. Meu pai foi sócio de um membro dessa família e ele dizia que foi o melhor sócio que ele teve na vida. Pouco antes de morrer, meu pai dizia que sonhava muito com ele - havíamos nos afastado dessa família nos últimos anos sem nenhum motivo objetivo. Ontem à noite, comentei com a minha mãe da festa e da família, que morava em Indaiatuba. Procuramos na internet e achamos o telefone deles. Minha mãe ligou e conversou por alguns minutos. Eles não sabiam que meu pai havia falecido. Me senti triste e ao mesmo tempo alegre por ter encontrado eles novamente. Encontrar essas pessoas, que foram importantes para meu pai, é como traze-lo um pouco de volta. Acho que encontrei um caminho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Que bom que encontrou um caminho. E que eu tenho 1/3489278487 de parte nisso! =~ =~ =~

HelenaN disse...

eu sei que não há nada a fazer, mas eu tô aqui se você precisar. encontrar esses caminhos é a melhor coisa que pode acontecer. é lembrar e homenagear ao mesmo tempo. boa sorte no caminho e lembra que há ombros disponíveis por aí.

Mademoiselle Bibi disse...

ôoo lindão, nem sei como dizer, mas o que eu sinto é que ele hoje deve te acompanhar por aí, como um anjinho da guarda, e que te compreende muito mais, e que te ajuda a se conhecer melhor por dentro. estamos aqui, todos nós para te dar amor, carinho e suporte viu? os que estão em cima zelando por ti, e nós daqui tb. Te amo mais do que tudo gatão, e me descubro mais a cada dia contigo.