segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É tradição e o samba continua

Lembro como se fosse hoje. Era quarta-feira de cinzas e eu estava dentro do ônibus indo para o centro da cidade. Eu estava com meu walkmen para acompanhar a apuração do Carnaval de São Paulo. Na minha casa sempre foi uma tradição assistir os desfiles das escolas de samba (do Rio e de SP). Além disso, boa parte de meus tios e primos sempre foram foliões de primeira categoria. Meu padrinho/tio, Álvaro, era diretor do Colorado do Brás. O tio Bira, desfila em escola do Rio, de SP e de Pindamonhangaba. Minha avó desfilou de baiana no Colorado. Enfim, carnaval é coisa séria na família.

No meu caminho para o centro da cidade fui ouvindo a Jovem Pan AM, que transmitia ao vivo a apuração. Não sei porque, mas comecei a torcer para a Vai-Vai. E, depois de um jejum de oito anos, a Vai-Vai foi campeã. Vibrei e foi ali que começou minha adoração pela escola. Li recentemente que o Thobias se identificou com a Vai-Vai pelo fato de ser uma escola sem quadra e pela luta dos dirigentes em manter a Vai-Vai no Bixiga. Comigo foi igual. Manter uma escola de samba na rua, em pleno centro de São Paulo, perto do pólo econômico da cidade (Avenida Paulista), requer dedicação e luta constante.

Assim como ir a um jogo do Juventus, ir na Vai-Vai para mim é uma espécie de ritual. Um ritual em que eu não sou mero espectador, mas, participante. Gosto de ver aquelas pessoas, que em sua maioria, trabalham duro durante todos os dias e que ainda assim, encontram motivação para trabalhar por uma escola de samba . Admiro muito essa dignidade. Minha impressão nessas horas é que São Paulo possui algumas fendas onde o espaço e o tempo são diferentes do restante.

Ontem, fui sozinho para esse ritual dominical. Mesmo com o céu promentendo uma grande chuva, me animei em ir. E, como esperado, caiu um temporal. Alguns resolveram ir embora ou se refugiar em algum lugar coberto. Muito outros, inclusive eu, permaneceu na chuva. Bateria, intérpretes, mestre-sala e porta-bandeira, passistas, madrinha e rainha de bateria, baianas e comissão de frente, todos continuaram na rua. Quanto mais chovia, mais as pessoas sambavam. Foi um momento de entrega e de sincronia entre todos que estavam ali. Eu olhava para os lados e todos sorriam cantando o samba-enredo deste ano. Ao final, a Lecy Brandão (ela visita todas as escolas antes do Carnaval) pediu para falar ao microfone. Ela disse, emocionada, que nunca tinha visto nada igual na vida dela. Nem eu, Lecy.

Voltei a pé para casa, embaixo de chuva, e não consegui tirar o sorriso do rosto até agora.

Um comentário:

bruna beber disse...

semana que vem é noise na saracura!