Campeão
Uma das minha memórias mais antigas envolvendo o Juventus foi no dia de fazer minha carteirinha de sócio do clube. Eu devia ter uns 4 anos, e por algum motivo eu estava chorando. Minha foto na carteirinha é engraçada, eu estou com um baita bico de choro. Lembro também de momentos na piscina e de churrascos em família lá no Juventus.
A sede do clube fica um pouco afastada do estádio da Rua Javari - que foi doado pelo Cotonifício Crespi para o clube. Meu avô, pai do meu pai, veio da Itália e foi trabalhar no Crespi (que era como meu pai se referia à empresa). Como funcionário, ele foi morar numa casa emprestada pela empresa, do lado do estádio. Anos mais tarde, toda vez que passávamos de carro na Rua dos Trilhos indo para a casa dos meus tios, meu pai apontava a casa onde ele morava.
Desde criança, nunca fui pressionado a torcer por um time de futebol. Meu pai se dizia palmeirense, mas não era fanático. Quando criança, eu gostava do Corinthians. Anos depois, comecei a gostar do Santos. Na adolescência, eu e meus primos íamos no clube do Juventus. Eu não era mais associado, então, entrava com a carteirinha de um dos meus primos. Era uma aventura. Para entrar na piscina e não ser barrado na catraca do exame-médico, eu me molhava no chuveiro do vestiário e passava direto na catraca. O fiscal, ao me ver molhado, achava que eu já tinha entrado na piscina e não conferia o número da minha matrícula. Foi nessa época que eu comecei a ir nos jogos do Juventus.
Diferentemente dos jogos do Santos, eu ficava tenso, nervoso nos jogos do Moleque Travesso e comecei a ir direto nos jogos. Cheguei a ir algumas vezes com meu primo Vinícius e com o meu pai. Levei vários amigos também. Uma vez, quando eu trabalhava com ele, fômos almoçar na Moóca por algum motivo. E eu levei pra visitar a antiga casa dele, onde ele morava quando criança, que hoje é um alojamento dos jogadores que moram ali. Ele ficou bem emocionado. Quando a gente ia nos jogos, ele ficava inconformado com os meus hábistos durante o jogo de ficar xingando o juiz, o bandeirinha e todo mundo que não usa camisa grená. Mas, depois de um tempo, ele começou a se dizer juventino também.
Ir na Rua Javari, pra mim, é me aproximar da história da minha família. De lembrar de pessoas que não conheci, meu avós, e de lembrar do meu pai. Associo aquele lugar à parte da minha família. Por isso, no jogo de ontem, seria uma grande decepção perder o título. Sim, é só futebol e, pra quem torce pro Juventus, não seria nada demais ficar sem ganhar mais uma vez. Porém, era a chance do time disputar a Copa do Brasil, de aparecer, nem que seja por um curto período, entre times grandes de todo o país. É uma experiência nova.
O gol salvador aos 49 minutos do segundo tempo, causou uma alegria que poucas vezes eu vi por lá. Ver os garotos da torcida chorando, a galera se abraçando e o time sagrando-se campeão deixou marcas até hoje. Ainda me sinto sob efeito da alegria da manhã de ontem. Uma alegria, que só o Juventus, minha família, podia me dar.


Um comentário:
Aê!
Vamo la Grená!!!
Véio, apesar do coração corinthiano, tenho esses "freelas" que faço para o Juventus. Posso dizer que ontem comemorei o gol do Juve como se fosse do Timão. Cantei do início ao fim do jogo e participar da avalanche juventina é algo único que recomendo a qualquer mortal!
Meu, muito legal essa sua história familiar na Javari.
Abs, tércio.
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